segunda-feira, 2 de julho de 2012

Esta canção pertence ao Poeta do Acaso - Damião Cordeiro

Nota do Poeta: "Germinei-me em Minas, Serranópolis. Lá, não criei raízes e vim plantar-me nesta Pauliceia Desvairada. Pegando um gancho de Goethe, Gonçalves Dias em 1843 (Coimbra) criou uma das canções. De Lá pra cá, muitos outros, como: Cassimiro de Abreu, Oswald de Andrade, Murilo Mendes, Chico, Cacaso, José Paulo Paes, Jô Soares, dentre outros. Eu, no meio deles, com simplicidade... publico neste singelo blog...  O texto trata-se de um eu lírico paulistanamente da gema imergido nos ermos da Terra Brasilis - louco para regressar para Sampa - terra querida."    

Queijos: o Poeta do Acaso.Email: poetaduacaso@yahoo.com.br


MINHA CANÇÃO DO EXÍLIO

Minha terra tem Palmeiras 
Que confronta cuns Gambá! 
Os homens que aqui futeboleiam 
Não gingam como os clássicos de lá! 
Lá, eu morei em Jaçanã, 
Lá, eu perdia o trem das onze 
E não esquentava com o amanhã 
Pois é de noite que a vida ferve lá! (...) saudosa maloca, maloca querida (...) 
Aqui, nada acontece no meu coração, 
Lá, é minha terra é também de um Oswald fanfarrão, esse soldado do modernismo que não pede pra sair das rodas de prosas literárias pois é um exímio linha de frente em combates vanguardistas! 
Lá, tem a Semana de 22, (um belo marco dependurado na parede da memória). 
Aqui, sem número representativo, enfadonha, a semana não é de ninguém, e, no estado de inércia parece morar! 
Lá, (...) os meus pés enterrem na Rua da Aurora (...) berço de um Mário minucioso, esse benfazejo esquartejador-visceral da cultura popular! 
Solitário, aqui, eu na tenho me achado 
Neste ermo de sertão sem consolação 
Que tanto assusta. 
Lá, tem bonde, Gaetaninho, Brás, Bexiga, 
Barra Funda, Alcântara Machado... 
...Angélica, Aurora dama da noite Augusta, 
Viaduto do Chá, lá! 
Cá, camomila 
Não vai me acalmar! 
Escute e anote, 
Lá, na minha terra 
É a terra da coroa 
Procurando qualquer frangote, 
Vegetando, aqui, eu não me agüento, 
Lá, tem correria dos mano, 
e caloroso engarrafamento, 
Paraíso é lá, lá! 
Huumm... bom retiro aprazível...! 
Profundamente, chego a suspirar! 
Maas... morro de medo 
De morrer tão cedo 
E lá, nunca mais voltar! 

Gambá, apelido pejorativo ao clube do Corinthians Paulista

Agradeço este poeta que aqui veio iluminar com uma paródia, que é muito conhecida no meio das letras. Espero que sua carreira brilhe como o sol do meio-dia! (Ricardo Kenty)






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